Como se começa um recado bem dado? Com as melhores palavras?
Perdendo o juízo? Partindo para a briga? Sendo objetivo?
"Depende do tema", vão dizer os de 'centro'. "Saia chutando
tudo", recomendará a 'oposição'. E mantenha o nível,
pedirá a 'situação'.
Discussão política, atualmente, nesse país, parece cada vez
mais inviável, sobretudo numa terra onde falastrões se tornam
ídolos, artistas se elegem com seus personagens e eleitores
estão cada vez menos comprometidos.
'Consciência política' é algo que muitos dizem ter, mas poucos
fazem por merecer o direito de no currículo computá-la. Fãs de
Roberto Jefferson, eleitores de Clodovil e os atuais 'fiscais
da ética' estão entre os que não merecem respeito e tampouco
deveriam ter um título em mãos.
Votar não é brincadeira, não é disputa de jogo de futebol.
Não está em jogo quem marca mais gol, quem "ataca" melhor.
A melhor decisão política exige a consciência política que muitos
fingem ter. Quem me diz, 'de peito aberto', que votar em Alckmin
foi uma resposta nas urnas, é o mesmo irresponsável que, numa
roda de amigos, me interrompe para falar pérolas como:
"Ah não, política não".
A verdade é que os atuais 'fiscais da ética' se escondem atrás de um
discurso furado, secular e arraigado em preconceito de classe. Mas
soa bem, não é? Que fiscais são esses que, de 1990 a 2002, riam
das privatizações, sequer queriam saber dos mensalões para aprovar
a emenda da reeleição e, ainda, deixaram nosso ilustre governante
(cheio de obstáculos acadêmicos) ampliar a dívida externa brasileira,
ao fazer estripulias com a política econômica? (Logo ele, o sociólogo,
o culto, o que ninguém chama de 'ignorante'?)
Quem se diz traído pelo atual governo e grita, esperneia, ataca a honra
do presidente que, no momento, governa o Brasil, agora acha bonito
reclamar de deslizes que estão enraizados na política brasileira, justamente
pela negligência nas urnas em anos, décadas anteriores. São os mesmos senhores
e senhoras que votam em Alckmin os responsáveis por deixar oligarquias e
'senhores feudais' como porta-vozes das decisões e votos sobre o futuro do país.
O Brasil caminha, ainda a passos lentos, para alguma espécie de foco social.
Não vou ser irresponsável de dizer que é o melhor, que é o ideal, mesmo porque
é a primeira vez, em mais de 500 anos, que o Brasil tem alguma proposta nesse
sentido.
Não vou dizer que ignoro os fatos graves ocorridos na atual gestão, e também
não vou deixar de constatar que nunca vi tantas investigações. Só digo que,
à luz dos fatos, 'brincar' de votar em Alckmin foi uma das grandes
irresponsabilidades já cometidas nesse país. Agora que vocês perderam,
sugiro que reflitam bastante sobre o cenário político e que, na próxima alternância
de ideologia no poder, vocês tenham a mesma má vontade e o mesmo 'senso de cidadão'
que, hoje, dizem ter suficientemente para ensaiar discursos (aliás, asneiras) sobre
política. No mais, sejam felizes e podem voltar a criar suas comunidades de
"Eu amo Roberto Jefferson".