"Oito ou oitenta?", pergunta a atônita mulher, orgulhosa de seu
jargão popular.
"Oitenta!", diz o garoto, sem qualquer gota de dúvida em
sua expressão.
E boquiaberta se manteve a moça, desprovida de qualquer reação.
Esperava o silêncio de uma resposta, num mundo em que sobram
frases prontas, e estão extintos aqueles que tomam decisões.
"Por que oitenta?!", questiona, ainda sem chão.
"Porque eu não quero oito, ora", minimiza a complexidade o garoto.
(...) - Pai, vou comer carne na sexta-feira da paixão...
- Você é quem sabe, meu filho... - É??
- Você pode decidir o que quer fazer. Só lembre-se que um dia vai
haver um juízo final e... - Ah não, sem essa. Não vem com dogma não que não cola mais. Sem balela.
- Você está rejeitando um pouco de cultura, meu filho. Não
pode ser assim, é importante acreditar em algo... - Eu nunca disse que não acreditava em nada. Eu só disse que
não concordo e não vou seguir essa tradição do sacrifício. Não
freqüento missas, nem acredito nos rituais da igreja católica.
Mas não significa que não acredite em algo...
- Isso não está correto. Você quer quebrar ensinamentos seculares.
Devem ser respeitados. - Devem ser respeitados? Que respeito existe nesse dia então?
Se entupir de bacalhoada, de peixes de todos os tipos, reunir
amigos e parentes numa festa sem fim, um "ôba-ôba" danado é respeitar
a tradição? É fazer o tal sacrifício que ensina a tradição?
- Tudo bem, meu filho. Padres, quando tinham a sua idade, também
eram revoltados com as regras. - Que padres, caramba. Estou discutindo a realidade. Por que é que
vai condenar alguém que vai comer normalmente nesse dia e vai livrar
a cara de alguém que faz um "ôba-ôba" danado com o bacalhau? E até
bebe, por exemplo?
- Você é quem sabe, meu filho. Faça o que você quiser... (...)
0h05min - Sábado de aleluia - Olha aqui, eu só não comi carne ontem porque eu esqueci...
- Isso mostra que você ainda tem fé, meu filho. - Não, meu pai. Isso mostra que os católicos continuam, de forma secular,
sendo vítimas de chantagens e dramas de consciência.
Ao invés de conquistar adeptos por discutir idéias e oferecer conforto,
A igreja católica prega o silêncio das partes e incentiva a auto-penitência,
num jogo de chantagem, medo e remorso infindáveis.
- Blasfêmia!!! - Amém...
(...)
Guerras de torcidas, violência nos estádios, etc...
(...)
Por que torcedores trocam socos, pontapés nos
estádios - e também fora deles? Por que eles se matam?
De onde pode surgir tanto ódio, tanta frieza e tamanha
estupidez?
Há quem vá dizer que o alimento do ódio é a própria
paixão, incentivada pelos responsáveis pelo espetáculo,
pela imprensa, que acirra uma rivalidade, pelos
comentaristas esportivos - que esperneiam, berram e
levam corações à beira de um off corporal...
Isso pode até fazer sentido, mas é difícil assimilar que
tudo isso seja usado para explicar, ou mesmo justificar,
atrocidades e comportamentos como esses...
Já ouvi falar que o amor é cego... Mas estou cansado de
ouvir essas coisas com um tom de "conforme-se, a vida é
assim". Violência NÃO se justifica. Que apontem as causas.
Mas se é realmente a paixão que motiva esses desvios,
essas maluquices irracionais nos campos e fora deles,
é o momento de dar um basta no esporte, de parar tudo e
rever cada detalhe. Estou cansado de imbecis conformados
baixarem a cabeça para problemas sociais graves em prol
de seus interesses econômicos...
E briguentos de plantão: acordem! Enquanto vocês ficam
aí brigando por futilidades e paixões idiotas, argumentos
boçais e motivos inexistentes, o imbecil que declara que
"é a paixão do torcedor" cristaliza a violência como hábito
e os jogadores, que vocês tanto defendem, ganham uma
grana absurda - questão essa que vocês, irracionais de plantão,
assimilaram com tamanha facilidade...
Ok, mas esse texto está irracional demais e também pode ter faltado
um controle emocional para me expressar...
=(
(...)
Não gosto de sábados.
Explico.
São curtos e, por essa razão, desagradáveis.
São fãs gritantes de domingo que, se pudessem,
logo trariam marcas do primeiro dia da semana para
a sua realidade...
Sábado e domingo são, respectivamente, fim e começo,
a partida e o retorno.
Gosto ainda menos dos domingos.
Ok, o chato sou eu...
(...)
- Eu quero dois!
- Tem certeza, Julin? - Tenho, tia. Passa pra cá.
- Não, acho melhor não... - Poxa, tia, eu quero!
- Mas não é adequado. Você ainda é um
garotinho e nem deve exceder nessas coisas. - Eu já sou grande, ora.
- Rs... você é um bom garoto, mas nada de dois
disso ainda, ok? - Pqp, sua boçal. Me dá logo essa melda desse negócio!!
- JULINNNN????! Quem te ensinou isso? - Foi ela.
- Ah mas eu pego essa desgraçada. Pqp, onde já se viu
ensinar essas %$@)¨%@$@ pro meu sobrinho?? - Peraí,
Julin, aquilo é o espelho...
- Burra bagarai...
(...)